[Resenha] Belleville - Felipe Colbert


Livro Nacional – Autor: Felipe Colbert – Selo Novas Páginas, 2014 – Páginas: 304 

Sabe aquela história fofa, real, com uma leve fuga das leis da física, o volume traz um romance inteligente, profundo e delicado capaz de ultrapassar as barreiras do tempo. Vocês já assistiram o filme “A Casa do Lago” com Keanu Reeves e Sandra Bullock? Não? Pois deveriam haha. No filme, os personagens principais se comunicam através de uma Caixa de Correio, onde suas cartas são enviadas “magicamente” um para o outro. Só que eles estão vivendo em uma época com 2 anos de diferença. E é isso que acontece em Belleville. Só que a diferença de tempo entre os dois personagens é de 50 anos! Sim, 50! 

Lucius é um jovem universitário que deixou a casa do pai para estudar Matemática em Campos do Jordão no ano de 2014. Lá ele aluga uma casa bem antiga e distante da cidade. Certo dia, ele decide explorar o grande terreno da propriedade e encontra algo bastante inusitado. Um “caminho” demarcado por estacas de madeira que depois ele descobre ser o início de uma montanha-russa. De volta em casa, ele vai dar uma olhada na biblioteca onde encontra uma foto antiga que retratava uma linda garota, ajoelhada naquele mesmo quintal, segurando uma caixa de madeira. 

Lucius imagina que aquela caixa estava enterrada no ponto em que a foto foi tirada. Ele estava certo. Dentro da caixa tinha uma carta. Anabelle, uma antiga dona da casa, pede para que o próximo morador os ajude a terminar a construção da montanha-russa chamada Belleville. Aquele era o sonho de seu falecido pai. A carta datava de 1964. Mas, segundo o ditado popular (que eu acabei de inventar e é super verdadeiro): "todo universitário tem o bolso liso" 

 Lucius não podia encarar aquele projeto, por mais que parecesse algo nobre, uma resposta a um pedido de uma jovem sonhadora. Ele então decide por uma carta naquela mesma caixa, deixando o seu próprio pedido ao próximo morador que construísse Belleville. Depois de refletir sobre o que fez, Lucius acha que deve retirar a carta de lá. Quando ele vai fazê-lo, a carta sumiu e existe outra em seu lugar. E adivinhem qual a data da resposta?! 1964! Aquilo só podia ser uma brincadeira. Uma brincadeira de mal gosto, na opinião de Anabelle, que recebeu a carta de algum lunático que dizia estar no ano de 2014. E é aí que começa a louca aventura dos dois jovens. E eles estão exatamente no mesmo lugar. Apenas em anos diferentes. 

E o mais mágico de tudo isso é que não são apenas as cartas que viajam no tempo, mas qualquer alteração feita em Belleville pode ser vista nas duas épocas *———* 

Felipe Colbert fez um trabalho incrível. A narrativa acompanha os personagens em tempo real, nos mostrando o que acontece com ambos enquanto esperam pela respectiva resposta à mais recente carta. O relacionamento dos protagonistas é muito bem trabalhado. O leitor pode sentir a ligação se desenvolvendo. Os diálogos nas cartas são tristes, engraçados, sensíveis e muito apaixonantes. *suspira* O Lucius é adorável e inteligente. Ele decide construir Belleville como um presente para a garota que nunca viu e em homenagem ao pai dela. Ele começa a matar aulas e a se dedicar no projeto. É só nisso que ele consegue pensar. (aaah, o amor e sua capacidade de acabar com nossas notas)

Enquanto isso, Anabelle está enfrentando seus próprios problemas. Agora que é órfã e desempregada, as coisas estão bem difíceis. E para completar, um tio maluco chega na casa para piorar ainda mais a situação. A única luz na vida de Anabelle é ver Belleville crescendo mais a cada dia, pelo trabalho extraordinário feito pelo Lucius de 2014. O rapaz por quem ela já nutre uma grande afeição. Mas, como eles poderiam se encontrar se estavam divididos por tanto tempo? Onde estaria Anabelle no ano de 2014? E como seria encontra-la velha? Será que haveria “magia” o suficiente para juntá-los em algum momento? Eis a questão. (Ou melhor, as questões)

O livro é mágico, delicado, inteligente e fluido. Fiquei completamente encantada com a história. E quando acabou eu me senti o Luke Skywalker: NOOOOOOOOOOOOO! haha’ Vale a pena dar uma chance a Belleville. O volume é lindo por dentro e por fora. A Novo Conceito fez um ótimo trabalho. E avaliando de 0 a 10… 50! 😉

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